Abril

by O Bisonte

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credits

released May 6, 2014

Recorded at "Estúdios Sá da Bandeira" and "O Silo", Porto, Portugal.
Produced and mixed by Mário Pereira.
Mastered by Jamal Ruhe at "West West Side Music", New Windsor, NY.
Bass-guitar played by Pedro Alves.
All tracks written by O Bisonte.

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O Bisonte Porto, Portugal

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Track Name: Abutres
Nós estamos fartos
estamos fartos que te seja
que tudo seja tirado de bandeja
roubado de igreja
e partido as vezes que seja

Nós estamos fartos de marés de azar
dos dias e dias sem ganhar
das vontades diferentes que não se podem pagar

Nós estamos fartos da verdade diluída
árvore de mentira destruída
que só nos deixa sós

Porque é a nós que importa cuidar
é a nós que interessa tratar
estamos fartos e assim não pode continuar

O mundo faz-se à sombra dos abutres
alta fiança à carne morta
e passeia sempre à volta de ti

Esperavas um amigo?
Um ombro mais de alguém contigo?
Esperavas que a falta fosse comigo?
Arruma as tuas coisas
e passeia à volta de mim.

Voltamos fartos da ideia de mudança
a acabar com toda a esperança
do sentido que fez a idade
que faz o molde à sobriedade
e que ideia é essa de ajudar
que ideia é essa de sacrificar
se só te ajudas nos momentos em que roubas os meus
e os teus são os meus
e eu sou o que tu és
SE VESTES FATO EU ANDO NÚ
Track Name: Ruína
E rumina a desgraça
e padece no chão
outro nome se passa
eu não sou teu, ruína.

Que determina o mais que é mentira
suplemento encarado como parte da vida
mas a vida que levo mal dá para comer
roer os passos certos serve só
o mais que se quer

E é a sorrir o cão que rouba outra
e engana e desmente que seja parte
de outra montra
é que saio à noite para lugar nenhum
e a vida que levo dá-se ao jejum

Faz, faz
com que cada passo que dês te sirva ruína

Nada me serve o dia
o mais que me fascina
em passo certo todo apanhamos
ruína
Eu sei que é fascinante
um homem bom de fato
mas outro é facto que estou na
ruína

Pois é, que é, roem-te os bichos?
os sapatos que estão furados há semanas
querem-te podre só e sedimentado
doente e agarrado
ao que te aguenta
Track Name: Março
Há mais margem para implodir
no que é mais que simples a cair
a bomba passa, arma, morre daqui
mas parte sossega
vais tarde e eu tive que ir

Só te sobra o recusar
não há sobra para recuar
há mais vontade de acabar
tudo é tão simples se recomeçar

Não dá
recomeçar, deixar
perder mais o que é de ter
Por cá
que fácil és assim
morreres tu só por mim

Tens que te deixar comer
há mais por onde ter

Não dá
para pensar voltar e não deixar que te pisem
Mas há
quem queira recomeçar e pense que é assim
Para lá
são só os que se querem ver
verdade é mais que poder
Pois dá
para ser o eixo do mal
e correr a retalho a verdade do mau
Track Name: Fado
É só mais um dia
no dia mais que mordemos
é só mais, eu queria
até àquilo que não quis
vai-se no que ia
deixa que te diga
eu não sei estar por um triz

Pede um passo ao lado
que culpa me dá
dormir no sofá
do lado de lá

Não é assim
sei quem cá está

Ele fez um posto
fingiu-se de morto
para me apanhar
riu-se meio torto
correu para o engodo
para me engordar

Mas eu que não sabia
barriga me faz
um gordo capaz
justo, crente na missão
visto para mais um dia
e ele incapaz, de rebo na mão
forte, morte, eixo, o mar

Eu fico aqui e não é assim
Sei quem cá está
Bebe o que houver

Dou
Sou
Vou

Quem te dera mais um
Que me dera um desejo nenhum
Nesta cadeira de baloiço
quem te dera o meu encosto
sei que é certeira
na arte de finar
Quem te dera mais um
Quem me dera um desejo comum
e eu, morto de cansaço.
Track Name: Hércules
Há um gasto que tortura
a vida que dura
o sol pouco dura
e é demais pisar o freio

Que feio que foi chegar-te para lá
ainda para mais que não sais
e deixas que fique um outro qualquer
que diga que não és mais quem eu quiser

Sou eu que não te dou
Sou eu que não te vou

O outro que te coma
Hércules que te foda

Sou eu que não te dou
Sou eu que não te vou

Fica parte da mentira
e à lembrança que te tira
se é que estive para ir
aos motivos retira
os sonhos aos abrigos

Fica parte da mentira
e à lembrança que te tira
e é à noite de cartão
deitado debaixo de um vão

Venho de um só lugar
um só pensar
como é que se diz
se outro vai lá morar

e o chão fugiu
mente e ruiu
será que é de lá?

és tu que tanto te dás
prometes não olhar para trás

mentiu, ruiu, sempre se deu
foi outro gajo que prometeu
ele é sozinho no quarto rés
jura que um dia estarei a seus pés

Não vou mudar e olhar para cá
o mundo está do lado de lá
que forte és de fronte assim
há um motivo para ser ruim
Track Name: Roda
Não houve nada a dizer
é mais o centro da aliança
a passo largo e ele sentado

É simples crer
difícil é dar
difícil é ser
difícil de estar
comer do prato que te espanta

E eu sentado a ver de parte
o final da escada ligado a nada
subir os degraus da roda dentada

Ele quer-te engrenar
vê só como correm

O meu espaço acabou
a roda mudou
e o passo virou

mais um dia que eu pudesse dizer o mal que não senti
mais um dia que quisesse não querer partir o que não vi
mais um dia que tiro o chão e os dentes cá de dentro
é o dia que rodo a sorte e que digo o que penso

Sabes tudo o que quero
é demais
e eu sentado a ver de lado
bem sentido
Fazes tudo o que queres
só demais
sabes nada e é só normal
Prometido.

Eu tentei colar, rezar
sentir o fundo do motivo
faz sentido a sorte para dar

Já mudei pensei melhor
em calar tudo o que eu digo
não sou grande coisa a calar

E no fim
sem tudo o que tinha
o risco adivinha
que não vás mais mudar
mais um dia que eu pudesse dizer o mal que não senti
Track Name: Midas
Chega de mentir
de partir estes todos
só para subir
chega de certeza
tu e esses estão longe
de ser realeza

Chega, não dá mais
morre longe e esquece os postais
chega, não dá mais
já só falta sermos iguais

Já gastou, acabou
não interessa se há
o que houve acabou
é sobra o teu ar
nem mais um som
nesse tom
com a mania de Midas

Chega de mentir
enganar-nos a todos
para o porto ruir
chega de destreza
tu e esses
são o sol da doença

Chega, não vais mais
sou pequeno mas honrado
eu e os meus pais
chega, não dá mais
não seremos nunca iguais

No pátio de betão
toque é ouro, roxo, negro
mais um braço e à força
garantes a lei.
Mostra de poder
só que juntos os blocos
dão para quem os quiser.

Não há quem queira saber
se cinco em dez não estão para lá
que cinco mais dão para cá?

Não é nada, nem olhar
ele quer mandar, mandar
no mudar.
Track Name: Norte
É destino o destino do corpo
do recorte do corpo à sombra
é destino de gelo que corte assim
a sentença é frio
deste gelo que há em mim

Sei que soube dizer nada
e que nada é demais
sabes tanto sobre nada
e nada é do que sais

Repara
e não há nada que eu queira ouvir

Onde está o sal que dá cor a esta paz?
Será demais levar a morte a um só lugar?

Jurei não pensar
que o meu corpo pudesse repartir
os enganos que me faz
quando me deixa a carpir

Se o gelo aquecesse os nossos pés
eu podia dizer-te outra vez
Que bom é ter-te aqui
tão só ao pé de mim

O difícil é para mim
porque morrer não aquece os nossos pés
mas dá o norte à morte
Track Name: Barco
Refém
quem se baixa e não tem
conforto, histórias de ninguém
e formas para se acabar
por dar a alguém
que promete a vida toda
dinheiro, amor e uma foda
motivos para a liberdade

Tu és quem?
Mulher deitada sem querer
morrer por outro ou aqui morrer
ficar sem querer maioridade
Para quê?
Imposto feito à saudade
futuro feio de verdade
e brincadeira de razões

Monções, o vento corre de cimeira
estive acordado a noite inteira
e não vejo nada a mudar
não dá.